Será? Depende.

É com grande alegria que tenho o prazer de inaugurar um projeto que já estava no forno desde o ano passado. O grupo existe desde 2014, mas o blog surgiu após um de nós dar a ideia  de escrever a respeito daqueles assuntos que costumam gerar mais de 100 mensagens em menos de 1 minuto no nosso grupo  do whatsapp. E por que não?

O primeiro assunto tratado será sobre economia, mas busquei escrever de uma forma descomplicada para que o leitor, por menos familiarizado que seja com o tema, se sinta a vontade durante a leitura e possa, se quiser, comentar a respeito também.

A discussão no Grupo da Cris se iniciou após a leitura dessa reportagem. A reportagem incitou uma série de comentários, entre nós, mas também de leitores virtuais, que chegam a ser até engraçados de tanto raivosos que são, as pessoas nas redes sociais têm tanto ódio que às vezes tenho a impressão que passaram a descontar nos textos de economia e política aqueles momentos em que batem o dedinho do pé na quina da porta!

Algumas questões foram levantadas no diálogo, como se é possível oferecer crédito com o nível de endividamento atual, se apostar na iniciativa privada não seria mais uma decisão errada repetida, que já não deu certo em outros momentos, se o Estado aumentar os investimentos em infraestrutura não seria mais viável (…).

Na minha opinião, todas essas perguntas que fizemos podem ser respondidas com a palavra que nós economistas temos uma relação de amor e ódio: depende. A forma como o setor privado vai responder a qualquer ação do governo, se as expectativas serão ajustadas para melhores ou mesmo piores,  ainda é muito incerto, pois depende também do comportamento de outras variáveis. Além disso, o tempo com que vai levar esse tipo de medida ter impacto na economia, é outra incógnita.

A despeito da discussão se o governo precisa ou não intervir no mercado,  comecei a nos perguntar se a maneira de incentivar, a forma de se chegar a um cenário mais favorável, parecido com o que tínhamos não precisaria ser repensada. Adiantaria facilitar financiamentos, dar maior acesso ao crédito, subsídios (…) capital de uma forma mais direta, se não se tem o controle de como o dinheiro será gasto? A ideia é bacana. Governo buscando incentivar iniciativa privada e tal, mas a questão é:  para onde vai esse recurso, como ele realmente é utilizado? A impressão que tenho é a de que a partir do momento que o dinheiro está na conta do empresário, muitos poderão não saber o que fazer com ele. Quitar dívidas? Comprar maquinário/ contratar mais funcionários? Diferencia o produto ou mercado? Utilizar como giro? São n as possibilidades.

Daí é que surgiu uma dúvida/ideia: será que nos bancos, principalmente nos públicos, o campo de prestação de consultoria existe e é disponibilizado para os clientes que captam recursos? Pode ser por falta de conhecimento, mas até onde eu sei, existe sim uma certa fiscalização da aplicação dos recursos adquiridos com subsídios do governo, mas ainda me parece pouco.  Vamos fazer o seguinte exercício: se imagine não como uma vítima que trabalha parte do ano apenas para pagar tributos que são mal administrados pelo governo, te fazendo pagar a mais por um pedágio, segurança, escolas particulares, e todas as lamentações que já sabemos de cór e  salteado (..), mas sim como um investidor que destina parte de sua renda para uma entidade (governo) que lhe dará em troca alguns serviços básicos como segurança e saneamento, além de realizar ações sociais, buscando promover o combate a fome, ao trabalho infantil, a violência doméstica etc. Se o governo fosse uma empresa e você estivesse investindo nela, esperaria uma contrapartida que seja em formato de serviços, certo? Pois é, a questão é que nós pouco acompanhamos os resultados dos nossos “investimentos”, bem como essa empresa (governo) também pouco o faz, ao que me parece. Onde estão os controles das aplicações que os agentes fazem com o dinheiro que tomaram emprestado a juros baratos? Como saberemos que serão bem investidos, de maneira a gerar dinamismo para a economia, ou se servirão apenas para aumento na taxa de lucro ? Talvez hoje os micro e pequenos empreendedores precisem mais de uma consultoria especializada, que poderia indicar os limites e as oportunidades que o cenário econômico apresenta, ao invés de apenas uma injeção de dinheiro em um período de expectativas abaladas.

Será que não perdemos muito tempo  nos preocupar se a teoria a, b, ab, ba está certa ou errada ao invés de nos preocupar com qual prática é mais adequada ? Se o Sr. João da padaria da minha rua ler uma notícia compartilhada por uma das grandes mídias no facebook, dizendo que a taxa de Juros Selic pode aumentar, com certeza isso não vai impactar tão diretamente no preço dos seus produtos. Mas se ele for visitado por um consultor, que prestasse o serviço de mostrar onde ele pode economizar, como ele pode gerar mais renda, independente de qual vai ser a capa de indicativo catastrófico que aquela revista vai apresentar na próxima edição,  talvez a engrenagem da economia fosse sendo purificada aos poucos, de maneira o dinamismo poderia ser visto mais uma vez.  É claro que existem empresas especializadas nesse tipo de serviço, mas o que me veio é, já que o governo quer incentivar o privado, porque não buscar uma nova forma de incentivo?

De qualquer forma, são apenas pensamentos soltos traduzidos em palavras. Espero ter feito você, leitor, pensar um pouco além do que costumava pensar, ou então, concordar, discordar – se pensou, já cumprimos o objetivo do projeto. Além disso, lembro que as ideias contidas nos textos traduzirão as opiniões/pensamentos dos autores, não de todos os membros do grupo.

Até a próxima,

Yas.

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2 comentários sobre “Será? Depende.

  1. Muito interessante esse ponto de vista, faz pensar mesmo.
    Tai o Senai e todo o grupo S pra dar essa ajuda (que não são de iniciativa governamental).

    Curtido por 1 pessoa

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