Deu Zika!

Há tempos se observa certo esvaziamento da mídia, cujas preces diárias de seus representantes giram em torno do surgimento de uma tragédia, escândalo ou polêmica qualquer, a fim de “aquecer” suas pautas nos telejornais. A morte de algum famoso, uma peça nova no quebra-cabeça da corrupção, a amiga do papa, o forjado “culto à mandioca da presidenta” e agora o Zika Vírus. Entra matéria, sai matéria e o Zika permanece. Sabemos que realmente é uma questão preocupante, mas que deveria ser tratada com a seriedade necessária e não ser foco de uma superexploração, com o objetivo de diminuir o desespero da mídia em encontrar notícias, sejam relevantes ou não.

O desespero do jornalismo vazio (não é o caso de todos, é claro) tem diminuído à medida que ele o espalha por toda a sociedade. “Gestantes, vistam calça e blusa de manga comprida, dentro de casa, além de manter portas e janelas fechadas”, disse o jornalista um dia desses. Como assim?? No Brasil? Nessa época do ano? Como se todo mundo pudesse viver de ar-condicionado.

“Você prefere vestir roupas mais claras ou ser picado pelo mosquito que transmite o Zika”? Perguntou o repórter nas ruas de São Paulo, após noticiar que há indícios de que o mosquito é mais atraído por roupas escuras, principalmente o preto. Ainda se a avalanche de notícias fosse em torno da conscientização…vá lá!! A verdade é que, certamente, a camiseta branca não vai contribuir mais para a resolução do problema que o fim dos criadouros.

Não proponho aqui que se mascare ou esconda o problema, mas que se tenha mais responsabilidade ao situar-se enquanto veículo de comunicação e difusor de informações, principalmente nesse contexto em que existe uma verdadeira avalanche de notícias e opiniões, a respeito de tudo, principalmente na internet. Uma das soluções para esse esvaziamento da mídia seria o questionamento por parte da população que recebe um verdadeiro turbilhão de notícias diariamente, muitas vezes sem checar as fontes, veracidade e teor de sensacionalismo contido nelas. Além disso, a própria mídia poderia fazer uma espécie de crítica interna, na qual um veículo de comunicação seria crítico do outro, criando debate com argumentação e não perseguição vazia de conteúdo (o que acaba acontecendo, por vezes, na mídia impressa brasileira).

Em relação a essas soluções, surge um novo problema. Como tecer críticas sobre determinada conduta de seu “concorrente”, uma vez que você faz exatamente a mesma coisa? Essa é a realidade da mídia hoje, sobretudo a televisão, principalmente após a proliferação das agências de notícias, as quais comercializam as matérias prontas que são difundidas por diversos canais (sem que se altere uma vírgula sequer) e repetidas muitas vezes em todos os telejornais de um mesmo canal. Quem nunca percebeu isso?

Pois é, deu Zika! Realmente, a realidade é desalentadora e pode fazer com que as propostas de solução permaneçam apenas no campo das ideias. Diante disso, o mínimo que nos cabe é exercitar e incitar ao nosso redor o exercício do senso crítico – em escala cada vez maior – para que possamos ser menos influenciados por essa onda de desespero que permeia cada vez mais os difusores de informações.

Até mais,

Douglas

*as ideias contidas nos textos traduzirão as opiniões/pensamentos dos autores, não de todos os membros do grupo.

Em tempo, compartilho com vocês um vídeo engraçado que um amigo me mostrou sobre a repetição de notícias prontas. Vale a pena dar umas risadas!!

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