Vamos falar de saúde – Você é doador de órgãos? Sua família sabe?

Você sabia que o Brasil possui o maior programa público de transplantes do mundo, através do Sistema Nacional de Transplantes (SNT)? Sabia que no ranking de quantidade de órgãos transplantados por ano, o Brasil só está atrás dos Estados Unidos? Em termos de dispêndios públicos, nós somos o país que mais destina recursos para essa área da saúde, já que cerca de 90% dos procedimentos são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Sucintamente, podemos entender o SNT como um sistema composto por três níveis: o nacional, estadual e municipal/hospitalar. A responsabilidade a nível nacional dos órgãos desse sistema é a de coordenação, regulamentação e credenciamento de equipes e hospitais para a realização de transplantes bem como a definição do orçamento previsto para essa área da saúde. Em nível regional e estadual, contamos com as centrais regionais que coordenam as atividades em âmbito estadual, realizam inscrições e ordenação de receptores de órgãos bem como também recebem notificações de potenciais doadores e coordenam a logística do processo de doação desde o diagnóstico de morte do doador até o processo de transplante. Por fim, na base de todo o sistema, atuam os profissionais da saúde, dentro das bases hospitalares, que são responsáveis pela notificação de potenciais doadores bem como a identificação daqueles que necessitam de transplantes.
São Paulo é hoje um centro de referência de captação e transplantes de órgãos no país, e isso ocorre devido a diferenças que esse estado tem em relação aos demais, como por exemplo, a existência de equipes bem capacitadas que fazem desde a notificação do potencial doador até o acompanhamento ambulatorial após o transplante. No último anuário divulgado pela Associação Brasileira de Transplantes, o estado de Santa Catarina também aparece em destaque na doação de órgãos (30 órgãos por milhão de população).
No cenário atual, o maior desafio do Brasil está nos transplantes hepáticos, já que atingimos apenas 30% da necessidade anual de transplantes. Em relação aos transplantes renais, atingimos 40% da necessidade e a fila para transplantes de córneas está praticamente zerada – com destaque para o Distrito Federal que realiza mais do que o dobro da necessidade estimada de transplante de córneas, sugerindo que atende também a necessidade de ouros estados. A forma como os recursos são utilizados e gerenciados a partir da segunda esfera do SNT, que é a estadual, pode ser apontada também como um fator determinante da disparidade de eficiência dos estados brasileiros e merece um estudo mais detalhado – quem sabe em um próximo texto…
A fila para transplantes no SUS para cada órgão ou tecido é única, e o atendimento é por ordem de chegada, considerados critérios técnicos, de urgência, e geográficos específicos para cada órgão, de acordo com a Portaria 91/GM/MS, de 23 de janeiro de 2003. O transplante só pode ser feito após o diagnóstico feito por uma equipe médica de morte cerebral do doador, podendo ser natural ou acidental e após autorização do SNT e do SUS. A decisão de doar ou não é feita pela família do doador, sendo que nenhum documento assinado pelo doador em vida pode ser válido para contradizer a decisão que a família tomar.
Agora que já conhece um pouco sobre o SNT e qual seu contexto atual, eu te pergunto: você já parou para pensar no assunto antes? Já conversou com sua família a respeito disso? Uma das causas encontradas pelos estudos feitos na área para a disparidade entre o número de necessário de doadores e receptores de órgãos transplantados no Brasil está na aceitação dos familiares. Existem questões religiosas e culturais que são mais delicadas, mas muitas vezes as famílias deixam de salvar vidas apenas por preferirem não pensar no assunto – falando assim parece absurdo, não é mesmo?
É certo que quando nós nos envolvemos na nossa comunidade em ações sociais, em obras de caridade, em grupos de qualquer natureza, temos a chance de impactar positivamente a vida de alguém, mas se podemos fazer isso também após nossa morte, que motivo teríamos para deixar de fazer?

Até mais,

Yas

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS et al. Dimensionamento dos transplantes no Brasil e em cada Estado (2008-2015).Registro Brasileiro de Transplantes, p. 1-88, 2015. Disponível em: ABTO – ESTATÍSTICAS .

Campanha Nacional de Doação de Orgãos, disponível em : Dia do Renascimento.

Foto retirada do site da Secretaria de Saúde do Paraná, disponível em: Campanha de Doação de Orgãos – PR.
MARINHO, Alexandre. Um estudo sobre as filas para internações e para transplantes no Sistema Único de Saúde brasileiro. 2004.

MEDINA-PESTANA, José O. et al. O contexto do transplante renal no Brasil e sua disparidade geográfica. J. bras. nefrol, v. 33, n. 4, p. 472-484, 2011.

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