A Diferença entre o Título, o Texto e o Contexto

Camara_deputadosAo olhar para os políticos que elegemos, tenho várias perguntas; Como podemos eleger tais políticos? Como pensamos tanto para escolher o melhor presidente, governador ou prefeito e ao mesmo tempo desdenhar dos senadores, deputados e vereadores? Até que ponto o sistema político e o sistema eleitoral pode contribuir pra nossa falta de atenção? Ou ainda, será que somos induzidos à negligência?

A reforma política é um consenso, porem as formas e mecanismos da reforma geram debate. Durante o período eleitoral os candidatos a cargos legislativos possuem de 5 à 10 segundos pra defender suas propostas e convencer o eleitor na televisão, outras fontes de informações sobre o candidato se restringem a panfletos e placas que, de uma forma ou outra, sujam as ruas e não trazem informações relevantes sobre sua biografia ou projetos que pretendem defender no poder legislativo, e são pouquíssimos os candidatos a que possuem uma plataforma online que permite uma maior difusão de suas ideias e perspectivas sobre o Brasil.

Todas estas restrições resumem a eleição legislativa a um grande jogo de bingo e favorece candidatos bizarros e escusos. A restrição à informação impõem aos eleitores atrelarem o candidato a cargos legislativos ao projeto de candidatos a cargos executivos, supondo que todos os candidatos da chapa da base aliada pensem, planejem e executem da mesma forma uma infinidade de assuntos que mudam de acordo com a conjuntura. Quantas vezes votamos em vereadores que apoiam o candidato a prefeito que nós apoiamos simplesmente por ele apoiar nosso candidato a prefeito? É fácil saber podres de candidatos que estão a décadas no poder, mas e os que elegemos a pouco tempo? E os que ainda nem se elegeram? Será que estamos dependendo mais dos vazamentos de informações sobre os podres dos políticos do que do projeto que eles levam ao poder?

Na minha opinião, os votos que geraram a abertura do processo do impeachment na Câmara são títulos muito semelhantes aos usados pelos candidatos pra se elegerem, o mesmo discurso encontrados nos horários eleitorais expostos na televisão. Quem nunca viu um candidato a deputado em época de eleição dizer “pela família; pelo município de …; pela região de …; por Deus vote no pastor …”. Humor à parte na hora de se expressar, este pode ser o único contato que teremos com os candidatos antes de se elegerem e a única coisa que sabemos deles é que são comediantes.

Chamo a atenção para o pouco contato que temos com os candidatos ao poder legislativo porque tudo o que eles nos expressam são títulos e temas, que no fundo, não significam nenhum compromisso concreto, mas pode significar muito sobre o comportamento ideológico dos mesmos. O que significa um candidato dizer “em defesa da família” nas eleições? Pra você leitor a sua família precisa ser defendida do que? Do homossexualismo? Do desemprego? Do abandono do estado no caso de pessoas que moram em áreas de risco e/ou sem acesso aos serviços básicos que o Estado precisa prestar como água potável, saneamento básico, saúde e educação de qualidade? Percebe como estes títulos podem ser interpretados de várias formas dependendo de quem os interpreta?

Outra questão é o texto, mais confiável porque passa a conter mais informações sobre o histórico dos políticos, o texto, portanto, seria uma referência à biografia dos políticos a respeito de seu comportamento como homem público e sua tomada de decisão exercendo um cargo público em temas de interesse público que revelam se sua atuação é ou não é próxima ao discurso que o elegeu. Estes são muito explorados pelos candidatos a cargos do executivo nas eleições (prefeitos, governadores e presidente) tanto por aliados quanto por adversários políticos que buscam confrontar o discurso eleitoral com sua atuação efetiva em algum cargo público.

Já o contexto testa a atuação do político em situações e momentos específicos, será que ele terá uma ação populista em momentos de crise? Será que ele honrará seus eleitores, mesmo que a situação exigir políticas impopulares, como agora? Bem diferenciar o texto do contexto é uma tarefa complexa na política, mesmo para profissionais experientes porque deve levar uma série de aspectos qualitativos que confunde o analista e o povo. Acredito que acusar a presidenta Dilma de estelionato eleitoral é uma acusação grave e exige uma analise histórica, algo para os futuros analistas porque os atuais estão embebidos num debate político/econômico/ideológico que pretende alterar/manter uma série de políticas no país. Não se trata de um debate isento de opiniões e neutro, com intuito de avaliar a presidenta porque estamos numa fase de decisão sobre o futuro do Brasil, e não da pra cobrar isenção e imparcialidade agora.

No entanto, a cada noticia verídica ou não, feita por delatores ou instituições oficiais, estamos sendo testados. Me sinto constantemente confrontado. Minha capacidade de julgamento está sendo testada pelos conhecimentos que adquiri na academia, meus valores estão sendo testado ao ter que criticar duramente o lado que defendo e minha hipocrisia está sendo testada por um bom senso de justiça verdadeira. Me sinto num intensivo de democracia, como aquelas ultimas semanas antes do ENEM, em que precisamos estudar intensamente diversos assuntos, que talvez não tenha uma relação direta com o cotidiano do nosso trabalho e preparação profissional.

Agora estamos tomando ciência do quanto os assuntos jurídicos, econômicos e políticos influenciam diretamente nossas vidas e somos cobrados o tempo todo pra tomarmos uma posição sobre isso, para decidir o futuro do país. E o grande problema é que temos péssimos professores. Jornalistas nos ensinam economia, políticos nos ensinam política e advogados nos ensinam jurisdição. Acontece que jornalistas não sabem economia e todas as pessoas que eles pedem auxílio têm um lado, uma posição que defendem e que nos influência com ela, até mesmo de forma desonesta porque nos ensinam o que querem e não o que precisamos aprender para tomarmos nossas próprias decisões, assim como ocorre com os políticos e advogados, são pessoas parciais que estão nos ensinando a ter visões laterais, ora direita, ora esquerda.

Abraços

Att,  Kelmaisteis

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