A culpa não é só da crise

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É consenso que o Brasil passa por uma crise política e econômica, e suas consequências são desastrosas para todo o conjunto da nossa sociedade, pois a atividade econômica se reduz, reduzindo assim a demanda, os investimentos, e o desemprego se eleva. Observa-se que com a retração econômica, o fechamento de diversas empresas dos mais variados ramos, desde o setor industrial, passando pelo comércio atacadista, varejista, até o de serviços.

Como pode ser visto na tabela abaixo, o volume de vendas no comércio varejista teve uma contração significativa, comparando os meses de 2016 em relação ao mesmo período de 2015. Fazendo um recorte por regiões, a variação para cada uma delas foi: Norte = -9,38; Nordeste = -8,72; Sudeste= – 5,82; Sul= – 6,97; Centro-Oeste = -7,97. Percebe-se que as regiões menos desenvolvidas do país sofreram mais com a retração no volume de vendas no varejo, confirmando um cenário já conhecido por todos nós, onde o lado mais fraco da cadeia está mais exposto às flutuações econômicas.

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Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio. (Base 12 meses: 12 meses imediatamente anteriores aos 12 últimos meses = 100)
(1) Base: 2011 = 100
(2) Base: Igual mês do ano anterior = 100
(3) Base no ano: Igual período do ano anterior = 100

 

Entretanto, mesmo com a recuperação econômica que virá, não sei ainda em que horizonte de tempo, mas ela virá, alguns setores não se recuperarão da mesma forma que antes, tendo o seu mercado consumidor de volta, reabrindo lojas nos mesmos moldes de antes. E isso se deve ao fato de que as relações econômicas, com crise ou sem crise são mutáveis, e estão se modificando cada vez mais rápido, de forma que, se pode notar mudanças como, sobretudo, os clientes estão escolhendo suas preferências de consumo.

Nos últimos tempos, a população brasileira que tem contado com o maior acesso à computadores, internet, smartphones, tem paulatinamente aumentado o consumo por meio do E-commerce (comércio eletrônico), não só de compras no varejo e atacado, mas também na contratação e troca de serviços.

Essa mudança no cenário de consumo brasileiro reflete um movimento que vem ocorrendo no mundo inteiro, onde os consumidores buscam formas de consumo que sejam mais personalizadas o possível com as suas preferências e escolhas. Mas não só a diversidade de escolhas para o consumo é a finalidade, como também, o atendimento que é prestado via internet, pois quem nunca teve a chata experiência de chegar a uma loja para comprar algum produto, e se deparar com um atendente despreparado ou desagradável, que não te dá a atenção devida ou que tenta ser agradável até demais, a ponto de te fazer desistir de uma compra ou não querer nunca mais pisar naquele estabelecimento.

Falando por experiência própria, quando entro em uma loja, quero conversar com o atendente somente o necessário para tirar as minhas dúvidas, sendo que vendedores que tentam ser agradáveis demais acabam por não me deixar a vontade naquele ambiente (posso até ser chato, mas é uma preferência minha na hora de consumir). Assim, como há casos onde nós consumidores precisamos praticamente convencer o atendente de que somos dignos de estar em tal estabelecimento para fazer a compra, além de toda a complicação que é pegar trânsito em certos locais da cidade, pagar estacionamento e ainda passar raiva com um produto que não atende à descrição feita pelo vendedor.

O comércio eletrônico nos proporciona uma qualidade de consumo que na maior parte das vezes é muito superior ao tête-à-tête, pois há uma variedade muito superior de opções de locais, produtos, marcas, preços mais atraentes, com o fato de só precisar de um ponto de acesso à internet e um computador ou smartphone, que gera uma comodidade muito maior, com informações mais precisas, dentro do próprio site ou em fóruns que possam sanar dúvidas dos clientes com consumidores que já fizeram a mesma compra.

Em matéria no site da Revista Exame, de acordo com a consultoria Bain & Company, o E-commerce, no Brasil, tende a crescer 11% ao ano até 2019, sendo uma projeção que não é tão otimista, mas que mostra como esse mercado tem espaço para expansão, apesar de ter diminuído o ritmo de crescimento observado em anos anteriores. Entretanto, ainda é complicado fazer projeções para esse nicho de mercado, pois a cada dia aparecem diferentes ferramentas que facilitam o consumo de bens e serviços via internet.

O infográfico abaixo, retirado do Relatório E-bit WebShoppers 2016 – 33ª Edição, mostra as categorias mais representativas no volume de vendas pelo comércio eletrônico, onde, Moda e Acessórios está no topo, categoria esta, que é a que mais exigiria uma loja física para haver a experimentação do produto. Mas essa divergência, de certa forma, está diretamente ligada aos aspectos falados anteriormente, como a facilidade de encontrar os mais diversos produtos, das mais diversas marcas em poucos instantes.

Sem título

Esses novos meios de comercialização não são uma novidade com o advento da internet, pois há muito tempo as inovações organizacionais, que se tratam muito mais da maneira como perceber o ambiente a sua volta e inovar, não no sentido tecnológico, mas na forma como as pessoas se relacionam com o consumo propriamente dito. Como no caso dos Estados Unidos, que já no século XIX, após a 2ª Revolução Industrial, aproveitando também das inovações tecnológicas trazidas pela revolução, também utilizaram de uma importante ferramenta para impulsionar o comércio no país, que foi o comércio via catálogos pelos correios, tendo impacto significativo na maneira como a população passou a consumir.

Nos últimos 15 anos, aproximadamente, vimos a indústria fonográfica perder força ano após ano, primeiro sofrendo com a pirataria física, depois com a pirataria na internet, levando à falência de diversas gravadoras e lojas de CDs. Entretanto, com a crise nesse setor, apareceram outras oportunidades, que alguns empreendedores e empresas tiveram a capacidade de enxergar, como a Apple, que fatura bilhões de dólares ao ano, vendendo músicas para seus clientes, por meio do iTunes. Outro exemplo de mudança no mercado, é a extinção cada vez mais próxima das locadoras de vídeo, onde nesse caso, o maior destaque de empresa que conseguiu aproveitar uma oportunidade, vai para a Netflix, que começou com um serviço de aluguel de filmes pela internet, que levou ao atual modelo de exibição de filmes por streaming, mostrando que um mercado que já foi muito forte pode ser superado em um curto espaço de tempo.

Em momentos de crise, a criatividade das pessoas aumenta pela necessidade de driblar as dificuldades que aparecem. Desta forma, é preciso ter a sensibilidade para perceber que as relações econômicas são mutáveis e ocorrem a todo o momento, cabendo aos diversos setores da economia, perceberem esses movimentos para não ficarem para trás, reclamando de como a crise está afetando a economia e seus negócios e esquecer que as oportunidades não param de acontecer em momentos difíceis, talvez só estejam menos explícitas.

Sílvio Alberto

*As ideias contidas nos textos traduzirão as opiniões/pensamentos do(s) autor(es), não de todos os membros do grupo

Referências consultadas

http://www.profissionaldeecommerce.com.br/e-bit-numeros-do-e-commerce-no-brasil/

http://www.profissionaldeecommerce.com.br/e-commerce-mantem-crescimento-em-2015/

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/e-commerce-pode-crescer-11-ao-ano-ate-2019-diz-estudo

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/comercio/pmc/pmc_201605_01.shtm

http://img.ebit.com.br/webshoppers/pdf/33_webshoppers.pdf

 

 

 

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