“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”

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Uma das primeiras coisas que nossos pais nos ensinam é a não mentir, com o tempo aprendemos que algumas mentirinhas podem ser contadas para aliviar situações que possam ser desconfortáveis. Com o tempo a mentira pode se tornar uma coisa patológica, e hoje em dia ela pode se tornar uma profissão, que, inclusive, remunera muito bem. Atualmente há agências especializadas na criação de fake news (termo inglês para “notícia falsa”), com uma provável capacidade de influenciar eleições.

Há 15, 20 anos, quando ainda utilizávamos a internet discada, nossos pais sempre nos diziam para tomarmos cuidado na internet, estarmos atentos com pessoas as quais nos relacionávamos, com a informação que adquiríamos, pois não era tudo que estava na internet que era verdade. Pois bem, parece que o jogo virou, não é mesmo?

Nossos pais que antes eram preocupados com o conteúdo que tínhamos acesso, em como iríamos estudar utilizando as facilidades proporcionadas pela rede mundial de computadores, hoje são boa parte das pessoas que reproduzem informações sem a mínima preocupação com suas veracidades. O crescimento das fake news está alicerçado fortemente nesta maneira de utilizar a internet e redes sociais de maneira irresponsável.

Quando uma mensagem é passada para frente, quem passa ela tem sua parcela de responsabilidade sobre o efeito causado. A maior parte das pessoas que propagam fake news, não fazem isso por mau-caratismo, fazem por desconhecimento e a vontade e transmitir uma mensagem à frente. Mas até que ponto esse desconhecimento pode ser uma irresponsabilidade racional ou irracional?

Quando uma fake news é compartilhada partindo de um site que aparentemente é confiável, citando números e fontes que parecem fidedignos, eu considero uma irresponsabilidade irracional, pois a pessoa foi levada a acreditar naquela “notícia” que teve um trabalho por parte de quem a fabricou de que ela pareça verdadeira ao máximo. Mas quando alguma “notícia” é praticamente inacreditável, não tendo nexo algum, apenas acusando alguém de algum crime, por exemplo, sem um mínimo esforço para tentar enganar quem a receberá, eu considero o ato de espalhá-la uma irresponsabilidade racional, pois não houve sequer uma mínima preocupação com o conteúdo compartilhado, assumindo, racionalmente, o risco de ser uma fake news ou não. Nos dois casos, quem espalha o boato está errado, mas talvez um esteja mais errado que o outro.

Alguns desses boatos podem ser muito perigosos para a sociedade como um todo, como foi o conhecido caso da divulgação de que alguns tipos de vacinas causavam autismo em crianças. Outro é que as urnas eletrônicas são fraudadas por um partido político. Ambos os casos, nenhum dos boatos foi confirmado, mas ainda assim há pessoas que insistem em algumas teses, como nos últimos dias, até mesmo candidato à Presidência da República afirmado que se não for eleito há alguma fraude, pois provavelmente ele tem mais credibilidade que auditorias e tribunais eleitorais, além de sempre pôr em xeque pesquisas eleitorais, que utilizam de metodologias sérias, buscando trabalhar com o mínimo de erros, mesmo sabendo que eles são inevitáveis.

Em matéria da BBC, do dia 20 de abril de 2018, uma pesquisa mostra que grande parte dos boatos espalhados na internet vêm de grupos de família. Em pesquisa do Datafolha, divulgada esta semana “seis em cada dez eleitores do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) se informam pelo WhatsApp”. Essas duas matérias só confirmam o que venho percebendo a algum tempo e o que quero expressar com este texto. Mas é claro, isso é a minha realidade, o que ocorre na sua?

Vejo muito por aí a busca por acusar e condenar alguém estar acima da legalidade com que o processo deve ser tratado. Iniciar uma caça às bruxas não resolve os problemas graves que temos, a mentira não pode ser uma opção para combater o que achamos errado. Tanto faz se o que foi espalhado é verdade ou não, contanto que esteja de acordo com as crenças de quem compartilhou, o “fato” não precisa ser checado, o importante é dar o “furo de reportagem”.

A propaganda na televisão perdeu muito de sua relevância nestas eleições, estamos vivenciando uma mudança que tem uma participação muito maior da população nas discussões políticas, mas infelizmente vemos o debate sobre propostas perder muita força, dando lugar às mentiras espalhadas em grupos de Whatsapp, e o maior exemplo disso é quando, por exemplo, eleitores preferem se vangloriar da ignorância e falta de propostas sérias de seu candidato, e lotam as mídias de seus e nossos smarthphones com mentiras.

A famosa frase atribuída a Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda da Alemanha durante o governo de Adolf Hitler), e torna-se verdade, principalmente quando essa mentira encontra pessoas dispostas a compartilhá-la sem a mínima preocupação com os danos que ela possa causar, ou pior, sabendo exatamente os danos que ela possa causar.

 

Sílvio Alberto.

*As ideias contidas nos textos traduzirão as opiniões/pensamentos do autor, não de todos os membros do grupo.

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